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Educação, mediação e formação moral

Da norma externa à conduta consciente: histórias infantis e processos mediacionais na formação afetivo-moral de crianças do Ensino Fundamental

Formulação atual da pesquisa sobre como atividades pedagógicas com histórias infantis podem participar da apropriação de valores morais, da reorganização de motivos e da formação de modos progressivamente mais conscientes e voluntários de conduta.

Orientação metodológica comum

Formulação e estrutura textual submetidas a controles de coerência.

As pesquisas apresentadas neste site seguem, em sua formulação e na produção da estrutura do texto, o diagrama elaborado pelo professor Armando Marino Filho (PPGEdu/UFMS, 2025). O percurso verifica a existência concreta, a forma e o conteúdo do objeto; suas unidades e conexões como sistema; sua relação com o contexto; a natureza e a disfunção do problema; e a coerência da hipótese e do objetivo geral. Quando uma relação não se sustenta, a elaboração retorna à etapa que precisa ser revista.

Essa referência orienta a construção lógica e textual. Os procedimentos teóricos ou empíricos permanecem definidos pelas exigências específicas de cada objeto de pesquisa.

Consultar a sequência metodológica adotada
01

Objeto

O processo de transformação qualitativa do sistema afetivo-emocional da criança, constituído nas relações pedagógicas organizadas com histórias infantis, por meio do qual a apropriação de valores morais pode participar da formação e reorganização de motivos que orientam formas progressivamente mais conscientes e voluntárias de regulação da conduta.

02

Problema de investigação

No contexto escolar do Ensino Fundamental, espera-se que a criança desenvolva formas progressivamente conscientes e voluntárias de regulação da conduta, orientadas por valores como respeito, justiça, solidariedade, cooperação e reconhecimento do outro. Entretanto, esses valores são frequentemente apresentados como prescrições, regras, comandos e avaliações externas. Isso pode favorecer sua reprodução verbal ou comportamental sem que se constituam como conteúdos afetivamente significativos e motivos internos da atividade da criança. A disfunção investigada reside no descompasso entre a exigência social e pedagógica de uma conduta moral consciente e as condições concretas de apropriação desses valores pelo sistema afetivo-emocional, especialmente na transformação das relações entre significados, afetos, necessidades, sentidos e motivos. A pesquisa pergunta em que condições atividades pedagógicas organizadas com histórias infantis podem participar de processos mediacionais capazes de favorecer essa transformação qualitativa.

03

Hipótese de trabalho

Quando histórias infantis são integradas a atividades pedagógicas intencionalmente organizadas, que articulem experiência estética, mobilização afetiva, diálogo, problematização de conflitos, análise dos motivos das personagens e relação com situações concretas de convivência, elas podem participar de processos mediacionais capazes de produzir transformações qualitativas no sistema afetivo-emocional da criança. Essas transformações podem favorecer a reorganização das relações entre significados, afetos, sentidos, necessidades e motivos, possibilitando que valores morais socialmente apresentados deixem de operar predominantemente como normas externas e adquiram progressivamente função motivacional na orientação consciente e voluntária da conduta.

Esta é uma formulação provisória. Sua validade depende da coerência com o objeto, o contexto e o problema e deverá ser examinada à luz do conhecimento já produzido e das condições concretas da atividade escolar.

II

Existência concreta do objeto

Objeto e contexto como sistemas articulados

O contexto da pesquisa é constituído pela unidade articulada dos sistemas escolar-institucional, pedagógico-didático, relacional-afetivo, sociocultural-familiar, político-curricular, estético-narrativo e histórico-desenvolvimental que organizam concretamente a formação moral de crianças do Ensino Fundamental. Esses sistemas não atuam isoladamente: interpenetram-se na atividade escolar e produzem condições, exigências, relações, controles, significações, afetos e possibilidades de ação que influenciam a apresentação, a vivência, a apropriação e a transformação dos valores morais em orientações da conduta.

Forma concreta do objeto

O objeto assume a forma concreta de atividades pedagógicas com histórias infantis. Nelas, valores morais são apresentados por meio de personagens, conflitos e decisões e reelaborados pelas crianças mediante mobilização afetiva, diálogo, interpretação, problematização docente e relação com situações de convivência.

Natureza do problema

Funcional e sistêmico. A questão central situa-se no funcionamento do sistema pedagógico, que articula um conteúdo a desenvolver, sujeitos em desenvolvimento, prática escolar e mediações simbólicas. A disfunção está na insuficiente articulação entre ensino dos valores, desenvolvimento do sistema afetivo-emocional e formação motivacional da conduta.

Manifestações do movimento do objeto

  • Avalia uma ação.
  • Justifica uma escolha.
  • Toma posição diante de um conflito.
  • Modifica seu julgamento.
  • Reconhece consequências de suas ações.
  • Considera a perspectiva do outro.
  • Decide como agir.

Sete sistemas articulados no contexto

Escolar-institucional
Normas, regras, autoridade, organização do tempo e do espaço, formas de controle e disciplina e cultura escolar.
Pedagógico-didático
Planejamento, escolha das histórias, intervenção docente, perguntas, atividades, formas de problematização e avaliação.
Relacional-afetivo
Vínculos, conflitos, amizade, rejeição, cooperação, competição, pertencimento e relações entre crianças e adultos.
Sociocultural-familiar
Experiências familiares, valores comunitários, repertórios culturais, desigualdades sociais, religião, mídia e modos de vida.
Político-curricular
Finalidades educativas, formação integral, expectativas curriculares e concepções de infância e de educação moral.
Estético-narrativo
Histórias infantis, personagens, conflitos, metáforas, imagens, linguagem, imaginação e experiência estética.
Histórico-desenvolvimental
Formas já constituídas de linguagem, pensamento, afetividade, necessidades, motivos, consciência e autorregulação.
III

Direção do estudo

Objetivos

Objetivo geral

Analisar como atividades pedagógicas intencionalmente organizadas com histórias infantis podem participar de processos mediacionais de transformação qualitativa do sistema afetivo-emocional de crianças do Ensino Fundamental, especialmente no que se refere à apropriação de valores morais e à formação de motivos capazes de orientar formas progressivamente mais conscientes e voluntárias de conduta.

Objetivos específicos

  1. Compreender teoricamente as relações entre afetos, sentidos, necessidades, motivos e conduta na formação moral da criança.
  2. Analisar como valores morais são apresentados e apropriados nas práticas escolares.
  3. Examinar como histórias infantis podem participar de atividades pedagógicas capazes de mobilizar afetos, interpretações e reflexões morais.
  4. Investigar indícios de reorganização do sistema afetivo-emocional durante essas atividades.
  5. Analisar se e como os valores trabalhados passam a participar da formação de motivos orientadores de formas mais conscientes e voluntárias de conduta.
IV

Fontes basilares

Obras que serão analisadas

A formulação atual exige reconstruir as relações entre atividade, experiência estética, afetos, significados, sentidos, necessidades, motivos e regulação da conduta. O corpus teórico permanece aberto a ampliações decorrentes da revisão de escopo.

01

L. S. Vigotski

Psicologia da arte

Contribuição examinada

A relação dinâmica entre forma e conteúdo, a contradição afetiva e a reação estética produzida pela organização artística da obra.

Justificativa da escolha

Permite compreender por que o valor formativo de uma história não reside apenas no tema ou na moral anunciada, mas no modo como a narrativa organiza conflitos, perspectivas e afetos.

02

L. S. Vigotski

Imaginação e criação na infância

Contribuição examinada

A imaginação como reelaboração da experiência e como atividade que amplia as possibilidades de compreensão para além do imediatamente vivido.

Justificativa da escolha

Fundamenta a relação entre experiência narrativa, situações concretas de convivência e elaboração infantil de conflitos, sentimentos, motivos e consequências.

03

L. S. Vigotski

Teoria das emoções: estudo histórico-psicológico

Contribuição examinada

A crítica à redução das emoções humanas a reações orgânicas e a necessidade de compreendê-las em seu desenvolvimento histórico e psicológico.

Justificativa da escolha

Sustenta a análise do sistema afetivo-emocional sem fragmentar afeto, pensamento, linguagem, vontade e condições sociais de formação da criança.

04

L. S. Vigotski

História do desenvolvimento das funções mentais superiores

Contribuição examinada

A origem social das funções psicológicas superiores, a mediação por signos e a transformação cultural das formas de conduta.

Justificativa da escolha

Oferece as bases para analisar valores, autorregulação e reconhecimento do outro como formações culturais, e não como traços naturais ou habilidades isoladas.

05

A. N. Leontiev

Atividade, consciência e personalidade

Contribuição examinada

A estrutura da atividade, as relações entre necessidades e motivos e a articulação entre significados sociais e sentidos pessoais.

Justificativa da escolha

Contribui para investigar em que condições valores socialmente apresentados passam a exercer função motivacional e a orientar conscientemente a conduta.

V

Percurso investigativo

Como o objeto será analisado

Unidade de análise

A unidade de análise é o processo de transformação qualitativa do sistema afetivo-emocional que pode ocorrer em atividades pedagógicas intencionalmente organizadas com histórias infantis. A investigação considera as relações entre apresentação social dos valores, mobilização afetiva, elaboração de sentidos, formação de motivos e regulação da conduta.

Necessidade investigativa

É necessário explicar o descompasso entre a exigência escolar de uma conduta moral consciente e as condições pedagógicas em que valores são frequentemente apresentados como referências externas. A questão não é apenas saber se a criança reproduz a conduta esperada, mas compreender o sistema psicológico pelo qual ela orienta sua atividade.

Movimentos da investigação

  1. Reconstrução teórica

    Sistematizar as relações entre afetos, significados, sentidos, necessidades, motivos, consciência e conduta na formação moral da criança.

  2. Análise das práticas escolares

    Examinar como valores morais são apresentados, vivenciados e apropriados nas condições concretas da atividade escolar.

  3. Exame da mediação narrativa

    Analisar como forma artística, personagens, conflitos, decisões, diálogo e problematização docente participam da atividade com histórias infantis.

  4. Busca de indícios

    Investigar mudanças nas formas de avaliar ações, justificar escolhas, considerar o outro, reconhecer consequências e decidir como agir.

  5. Síntese interpretativa

    Analisar se e como valores socialmente apresentados passam a integrar motivos que orientem formas mais conscientes e voluntárias de conduta.

Produção vinculada · aceita para publicação nos anais

A contação de histórias como mediação estética e pedagógica no desenvolvimento de competências socioemocionais no Ensino Fundamental: a apropriação de valores abstratos por meio de experiências narrativas concretas

XXII Semana de Educação e II Semana Integrada Pedagogia e Pós-Graduação em Educação — “Pedagogias humanizadoras: fundamentos, práxis e enfrentamentos contemporâneos” — UFMS

O artigo registra uma formulação anterior da pesquisa. Seu título e seu resumo são preservados como parte do registro editorial, enquanto esta página apresenta a reformulação atualmente adotada pelo grupo.

Consultar resumo e dados editoriais
VI

Fundamentação teórica

Categorias que organizam a análise.

Formação histórico-cultural dos valores

Valores morais são produções sociais apropriadas pela criança em atividades concretas. Sua enunciação como regra não garante que adquiram importância afetiva nem que passem a orientar internamente a conduta.

Sistema afetivo-emocional

Afetos, sentidos, necessidades e motivos são examinados em suas relações dinâmicas. A transformação qualitativa diz respeito à reorganização desse sistema, e não ao treino isolado de respostas emocionais.

Significado e sentido pessoal

O significado social de um valor pode ser conhecido sem participar dos motivos da criança. A pesquisa investiga as mediações pelas quais esse significado pode adquirir sentido pessoal e função na atividade.

Experiência estética e mediação

Forma narrativa, personagens, conflitos e imagens mobilizam afetos e imaginação. O professor organiza diálogo e problematização sem reduzir a obra a uma prescrição moral previamente fixada.

Motivos e regulação da conduta

Duas condutas exteriormente iguais podem apoiar-se em sistemas psicológicos distintos. A análise procura distinguir a obediência dependente de controle externo da orientação progressivamente consciente e voluntária por motivos formados na atividade.

VII

Trabalho coletivo

Responsáveis e desenvolvimento

Integrantes responsáveis

  • Vinicius SouzaOrientando de iniciação científica
  • Letícia CordeiroOrientanda de iniciação científica
  • Luis Henrique ZagoOrientação e coordenação da pesquisa

Estágio atual

A formulação atual alinha objeto, contexto, problema, hipótese e objetivos em torno da transformação do sistema afetivo-emocional e da formação motivacional da conduta. O título permanece provisório. A revisão do conhecimento produzido e a definição dos procedimentos para analisar práticas e indícios no contexto escolar constituem os próximos movimentos da investigação.

Produções e apresentações relacionadas

  • Diagrama lógico-metodológico reformulado, com objeto, contexto, problema, hipótese e objetivos articulados.
  • Matriz analítica dos sete sistemas que constituem o contexto da formação moral no Ensino Fundamental.
  • Artigo correspondente à formulação anterior aceito para publicação nos anais da XXII Semana de Educação e II Semana Integrada da UFMS.
  • Protocolo da revisão de escopo estruturado segundo população, conceito e contexto (PCC).
  • Revisão de escopo e aprofundamento das categorias teóricas em andamento.
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