Glossário de conceitos

Palavras que sustentam o trabalho teórico.

Este glossário apresenta conceitos utilizados nas atividades de estudo e pesquisa do grupo. Cada verbete oferece uma compreensão inicial rigorosa, indica reduções a evitar, explicita sua responsabilidade editorial e fornece uma forma padronizada de citação.

Como utilizar

Um ponto de partida para a leitura — não um substituto das obras.

Os conceitos aparecem separados para facilitar a consulta, mas somente ganham precisão quando compreendidos em suas relações. A busca por termos e palavras relacionadas ajuda a aproximar verbetes que integram o mesmo sistema conceitual, enquanto as referências indicam textos fundamentais para aprofundamento.

Esta é uma produção coletiva e permanentemente revisável. Cada verbete informa elaboração, revisão científica, data, versão e referência-base; as formulações provisórias são identificadas expressamente.

Consulta orientada

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28 verbetes encontrados

Método dialético

Análise

Análise do objeto · Movimento analítico

Atividade do pensamento que toma um ser singular como totalidade e distingue suas partes e níveis de complexidade para reconstruir as relações que constituem seu movimento de existência.

Compreensão-base

A análise é uma atividade do pensamento dirigida sempre a um ser singular tomado como totalidade. Analisar consiste em estudar as diferentes partes que compõem esse ser, considerando seus diversos níveis de complexidade, as relações que estabelecem entre si e o lugar que ocupam na organização do todo. Por isso, antes de distinguir as partes do objeto, é necessário explicitar qual totalidade singular delimita o campo de existência daquilo que se pretende conhecer. A parte somente se torna inteligível quando examinada no interior dessa totalidade e em relação ao movimento que contribui para produzir, conservar ou transformar.

Evite reduzir a...

Não deve ser reduzida à fragmentação do objeto, à enumeração de elementos isolados ou a uma decomposição ilimitada. Distinguir as partes é um momento necessário do pensamento; tratá-las como independentes do todo, porém, rompe as relações que lhes conferem posição e função. A totalidade singular também não é um cenário externo: é a unidade concreta no interior da qual aquilo que se investiga existe e se movimenta.

Aplicação nas pesquisas

Na pesquisa, é preciso delimitar inicialmente a totalidade singular à qual pertence o processo investigado e, em seguida, examinar suas partes, relações e níveis de complexidade. Para compreender uma gripe, por exemplo, não basta enumerar sintomas ou isolar um agente infeccioso: é necessário reconhecer que o processo ocorre no interior de um corpo biológico singular e investigar como seus diferentes sistemas, condições e relações participam da existência e do curso da doença. O mesmo princípio orienta a análise de objetos educacionais, psicológicos e sociais: cada determinação deve ser estudada segundo sua posição e sua função no movimento do todo delimitado.

Responsabilidade editorial

Elaboração
Grupo de Pesquisa Educação e Desenvolvimento
Revisão científica
Luis Henrique Zago — coordenação científica
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Status
Formulação conceitual provisória do grupo, aberta a revisão conforme o desenvolvimento das pesquisas.

Como citar este verbete

Citação no texto: (GRUPO DE PESQUISA EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO, 2026).

GRUPO DE PESQUISA EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO. Análise. In: GRUPO DE PESQUISA EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO. Glossário de conceitos. Araçatuba, SP, 2026. Versão 1.0. Disponível em: https://educacaodesenvolvimento.com.br/materiais/glossario#analise. Acesso em: [dia mês abreviado. ano].

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Referência-baseGRUPO DE PESQUISA EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO. Elaboração conceitual sobre análise, singularidade e totalidade, em diálogo com o método dialético.

Desenvolvimento e cultura

Apropriação

Processo ativo pelo qual o sujeito torna suas as produções culturais historicamente constituídas.

Compreensão-base

A apropriação ocorre na atividade social, quando conhecimentos, instrumentos, signos e modos de ação produzidos pela humanidade passam a integrar as capacidades do sujeito. Ela exige participação, orientação e reconstrução pessoal do que foi produzido coletivamente.

Evite reduzir a...

Não significa copiar, memorizar mecanicamente ou possuir um objeto. Aquilo que é apropriado transforma-se ao integrar a atividade e a história singular da pessoa.

Aplicação nas pesquisas

Permite analisar como condições de ensino, vínculos sociais e mediações concretas favorecem — ou limitam — a formação de novas capacidades e formas de participação.

Responsabilidade editorial

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GRUPO DE PESQUISA EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO. Apropriação. In: GRUPO DE PESQUISA EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO. Glossário de conceitos. Araçatuba, SP, 2026. Versão 1.0. Disponível em: https://educacaodesenvolvimento.com.br/materiais/glossario#apropriacao. Acesso em: [dia mês abreviado. ano].

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Referência-baseLEONTIEV, A. N. O desenvolvimento do psiquismo.

Teoria da atividade

Atividade

Relação concreta e orientada por um objeto mediante a qual o sujeito transforma o mundo e a si mesmo.

Compreensão-base

A atividade nasce de necessidades e se orienta por motivos. Realiza-se por ações dirigidas a objetivos e por operações dependentes das condições existentes. Essa estrutura permite compreender a unidade entre sujeito, objeto e relações sociais.

Evite reduzir a...

Não é sinônimo de qualquer movimento, comportamento isolado ou tarefa prescrita. Uma mesma ação pode integrar atividades diferentes conforme o motivo que lhe confere sentido.

Aplicação nas pesquisas

Ajuda a investigar o que efetivamente mobiliza estudantes e participantes, quais objetos organizam sua ação e como condições concretas alteram os sentidos produzidos.

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GRUPO DE PESQUISA EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO. Atividade. In: GRUPO DE PESQUISA EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO. Glossário de conceitos. Araçatuba, SP, 2026. Versão 1.0. Disponível em: https://educacaodesenvolvimento.com.br/materiais/glossario#atividade. Acesso em: [dia mês abreviado. ano].

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Referência-baseLEONTIEV, A. N. Atividade, consciência e personalidade.

Método dialético

Complexo

Composição complexa · Totalidade complexa

Composição interconectada de partes que também constituem composições complexas, articuladas nos limites singulares do objeto e segundo o princípio universal de seu gênero.

Compreensão-base

Complexo é compreendido aqui como uma composição interconectada de partes que são, por sua vez, também complexas: cada uma constitui uma composição de partes no interior de outra composição. Essa série de composições encadeadas é analisada até o limite do objeto em sua singularidade e segundo o princípio universal do gênero ao qual ele pertence. Em cada nível, as relações particulares internas das partes produzem um princípio próprio de organização e movimento, sem que elas deixem de integrar a unidade mais ampla. A complexidade expressa, portanto, tanto a diferenciação interna das partes quanto sua interdependência na constituição do todo.

Evite reduzir a...

Não deve ser reduzido a algo apenas difícil, confuso ou formado por grande quantidade de elementos. Um complexo não é uma soma de partes independentes, uma hierarquia mecânica de níveis nem uma decomposição que prossegue indefinidamente: as partes se definem por suas relações internas e por sua participação na totalidade, e os limites da análise são dados pela singularidade do objeto e pelo universal de seu gênero.

Aplicação nas pesquisas

Na investigação, analisar um complexo requer delimitar a unidade singular do objeto, identificar as composições que a constituem e reconstruir as conexões entre suas partes. Em cada composição, examinam-se as relações particulares internas e o princípio de organização que elas produzem; simultaneamente, pergunta-se como esse princípio participa da unidade mais ampla e se relaciona com o princípio universal do gênero ao qual o objeto pertence.

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GRUPO DE PESQUISA EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO. Complexo. In: GRUPO DE PESQUISA EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO. Glossário de conceitos. Araçatuba, SP, 2026. Versão 1.0. Disponível em: https://educacaodesenvolvimento.com.br/materiais/glossario#complexo. Acesso em: [dia mês abreviado. ano].

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Referência-baseMARINO FILHO, Armando. Elaboração conceitual indicada para tese; dados bibliográficos não informados.

Psiquismo e sociedade

Consciência

Forma especificamente humana de relação consciente com a realidade, constituída social e historicamente.

Compreensão-base

A consciência forma-se na atividade social e na linguagem. Ela articula significados compartilhados, sentidos pessoais e relações entre o sujeito e o mundo, permitindo orientar ações para além da situação imediatamente percebida.

Evite reduzir a...

Não deve ser tratada como substância interna, espelho passivo da realidade ou atributo exclusivamente individual separado da vida social.

Aplicação nas pesquisas

Orienta a análise de como as pessoas compreendem sua situação, atribuem sentido às experiências e constroem possibilidades de ação em contextos educacionais e sociais.

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GRUPO DE PESQUISA EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO. Consciência. In: GRUPO DE PESQUISA EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO. Glossário de conceitos. Araçatuba, SP, 2026. Versão 1.0. Disponível em: https://educacaodesenvolvimento.com.br/materiais/glossario#consciencia. Acesso em: [dia mês abreviado. ano].

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Referência-baseVIGOTSKI, L. S. Pensamento e linguagem; LEONTIEV, A. N. Atividade, consciência e personalidade.

Metodologia da pesquisa

Contexto

Contexto da pesquisa · Contexto do objeto

Unidade estruturada da diversidade de condições concretas e dos sistemas de determinações nos quais o objeto existe e se movimenta.

Compreensão-base

Contexto pode ser compreendido como a unidade da diversidade de condições concretas nas quais o objeto existe. Cada condição deve ser analisada como um sistema orgânico de determinações, isto é, como um conjunto articulado de processos, relações, funções, controles, avaliações e mediações que produzem possibilidades e limites para o movimento do objeto. O contexto, portanto, não é um cenário externo nem um sistema simples, mas a unidade estruturada e organizada de múltiplos sistemas de determinações que condicionam a existência, o funcionamento e o desenvolvimento do objeto. Esses sistemas não apenas circundam o objeto: participam de sua constituição concreta e precisam ser examinados em suas relações recíprocas, contradições, hierarquias e transformações.

Evite reduzir a...

Não deve ser reduzido ao local, ao período histórico, à instituição, à população pesquisada, a uma lista de fatores externos ou a informações gerais apresentadas como pano de fundo. Também não corresponde à soma indiferenciada de tudo aquilo que envolve o fenômeno: sua delimitação depende do objeto e do problema de investigação, que permitem reconhecer quais sistemas efetivamente produzem determinações relevantes para seu movimento.

Aplicação nas pesquisas

A análise do contexto requer identificar os sistemas concretos nos quais o objeto existe e, em cada um deles, reconstruir processos, relações, funções, formas de organização, controles, avaliações, mediações e contradições. Esse procedimento permite explicar quais condições favorecem, limitam, desviam ou transformam o movimento do objeto e impede que os resultados sejam atribuídos isoladamente aos indivíduos.

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GRUPO DE PESQUISA EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO. Contexto. In: GRUPO DE PESQUISA EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO. Glossário de conceitos. Araçatuba, SP, 2026. Versão 1.0. Disponível em: https://educacaodesenvolvimento.com.br/materiais/glossario#contexto. Acesso em: [dia mês abreviado. ano].

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Referência-baseGRUPO DE PESQUISA EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO. Elaboração conceitual sobre o contexto da pesquisa, em diálogo com o método dialético.

Método dialético

Contradição

Unidade tensa de determinações opostas que constitui o movimento e a transformação dos fenômenos.

Compreensão-base

Na perspectiva dialética, os fenômenos contêm relações que simultaneamente os afirmam e os negam. A contradição não lhes é exterior: integra sua constituição e cria condições para mudanças qualitativas.

Evite reduzir a...

Não equivale a erro lógico, simples desacordo entre pessoas ou oposição estática entre dois lados independentes. Também não deve ser automaticamente identificada com conflito destrutivo.

Aplicação nas pesquisas

Permite examinar tensões como desejo e possibilidade, inclusão e exclusão ou conservação e mudança, buscando as relações concretas que sustentam cada polo.

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GRUPO DE PESQUISA EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO. Contradição. In: GRUPO DE PESQUISA EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO. Glossário de conceitos. Araçatuba, SP, 2026. Versão 1.0. Disponível em: https://educacaodesenvolvimento.com.br/materiais/glossario#contradicao. Acesso em: [dia mês abreviado. ano].

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Referência-baseMARX, K. O Capital; ILYENKOV, E. V. Dialectical Logic.

Psicologia Histórico-Cultural

Desenvolvimento

Processo histórico de transformações qualitativas na organização do psiquismo e da atividade.

Compreensão-base

O desenvolvimento resulta das relações sociais, da apropriação da cultura, das condições de vida e da atividade do sujeito. Novas formações reorganizam funções anteriores e alteram o modo de a pessoa relacionar-se consigo, com os outros e com o mundo.

Evite reduzir a...

Não é crescimento linear, maturação biológica automática nem mera soma de aprendizagens. Avanços, crises e reorganizações compõem seu movimento.

Aplicação nas pesquisas

Sustenta análises que relacionam processos educativos, condições sociais e mudanças qualitativas, evitando explicar dificuldades como incapacidades naturais e imutáveis.

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GRUPO DE PESQUISA EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO. Desenvolvimento. In: GRUPO DE PESQUISA EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO. Glossário de conceitos. Araçatuba, SP, 2026. Versão 1.0. Disponível em: https://educacaodesenvolvimento.com.br/materiais/glossario#desenvolvimento. Acesso em: [dia mês abreviado. ano].

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Referência-baseVIGOTSKI, L. S. História do desenvolvimento das funções psíquicas superiores.

Método dialético

Dialética

Movimento dialético · Método dialético

Movimento simultaneamente analítico e sintético pelo qual uma determinação se diferencia internamente, produz seu outro e é reconstruída em uma unidade mais concreta.

Compreensão-base

Lenin formula uma das definições de dialética nos seguintes termos: “Este momento tanto analítico quanto sintético do juízo, pelo qual o universal que está no início se determina por si mesmo como o outro de si mesmo, pode ser designado como dialético” (2011, p. 182). O momento é analítico porque distingue e desenvolve as determinações contidas na unidade inicial; é sintético porque reconstrói as relações entre essas determinações em uma totalidade mais concreta. O universal que aparece no início ainda é abstrato. Ao determinar-se, diferencia-se internamente, assume formas particulares e produz sua própria alteridade. O “outro de si mesmo” não é acrescentado externamente: emerge das relações e contradições constitutivas do próprio universal. Em uma perspectiva materialista, esse movimento do pensamento busca reconstruir conceitualmente o movimento objetivo da realidade.

Evite reduzir a...

Não deve ser reduzida à fórmula rígida tese–antítese–síntese, à simples oposição de opiniões, a qualquer mudança, a uma contradição meramente lógica ou à conciliação eclética de perspectivas. A determinação do “outro de si mesmo” designa uma diferenciação interna e necessária, não a introdução arbitrária de um elemento exterior.

Aplicação nas pesquisas

Na pesquisa, orienta a passagem de uma formulação universal inicial e abstrata para a reconstrução das determinações particulares e contraditórias do objeto. Analisa-se como a unidade se diferencia, quais oposições produz, quais mediações relacionam seus momentos e como o movimento pode ser reconstruído em uma síntese concreta que conserva e transforma as determinações examinadas.

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GRUPO DE PESQUISA EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO. Dialética. In: GRUPO DE PESQUISA EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO. Glossário de conceitos. Araçatuba, SP, 2026. Versão 1.0. Disponível em: https://educacaodesenvolvimento.com.br/materiais/glossario#dialetica. Acesso em: [dia mês abreviado. ano].

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Referência-baseLENIN, V. I. Cadernos sobre a dialética de Hegel. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 2011. p. 182.

Desenvolvimento cultural

Funções psíquicas superiores

Formas voluntárias e culturalmente mediadas de atenção, memória, pensamento, linguagem e autorregulação.

Compreensão-base

Essas funções se constituem nas relações sociais e são reorganizadas pelo uso de signos. Aquilo que inicialmente acontece entre pessoas pode tornar-se um recurso interno de orientação e domínio consciente da própria conduta.

Evite reduzir a...

O termo “superiores” não estabelece hierarquia moral entre pessoas. Distingue formas culturais e mediadas de funcionamento das formas elementares de base biológica.

Aplicação nas pesquisas

Ajuda a planejar práticas pedagógicas que criem instrumentos de pensamento, memória voluntária, elaboração conceitual e participação consciente.

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GRUPO DE PESQUISA EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO. Funções psíquicas superiores. In: GRUPO DE PESQUISA EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO. Glossário de conceitos. Araçatuba, SP, 2026. Versão 1.0. Disponível em: https://educacaodesenvolvimento.com.br/materiais/glossario#funcoes-psiquicas-superiores. Acesso em: [dia mês abreviado. ano].

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Referência-baseVIGOTSKI, L. S. História do desenvolvimento das funções psíquicas superiores.

Método dialético

Gênero

Gênero lógico-dialético · Universo

Totalidade diversificada de fenômenos que se formam e se relacionam segundo um mesmo princípio universal.

Compreensão-base

De forma simplificada, gênero é a totalidade da diversidade de fenômenos que se formam segundo um mesmo princípio; nesse sentido, pode ser compreendido como um universo. O princípio geral que confere unidade a esse universo é o universal. Esse universal não existe separado dos fenômenos que integram o gênero: realiza-se em suas particularidades, assume formas singulares e atua como tendência interna de seu movimento. O gênero é, portanto, uma totalidade estruturada cuja unidade não elimina a diversidade de suas partes.

Evite reduzir a...

Não deve ser reduzido a uma classe taxonômica, a uma coleção de elementos reunidos por semelhanças exteriores ou a um rótulo classificatório. O universal não é uma característica abstrata repetida em todos os casos nem uma regra imposta de fora. Neste verbete, gênero é empregado como categoria lógico-dialética e não como conceito referente às relações sociais de gênero.

Aplicação nas pesquisas

A ciência constitui um gênero: um universo diversificado de conhecimentos, teorias, métodos, práticas e instituições. Suas particularidades diferem quanto aos objetos e aos procedimentos, mas compartilham a tendência universal de produzir conhecimento sobre a realidade. Na pesquisa, a categoria permite delimitar uma totalidade, identificar o princípio que sustenta sua unidade e analisar como esse universal se realiza e se transforma em suas diferentes particularidades.

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Citação no texto: (GRUPO DE PESQUISA EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO, 2026).

GRUPO DE PESQUISA EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO. Gênero. In: GRUPO DE PESQUISA EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO. Glossário de conceitos. Araçatuba, SP, 2026. Versão 1.0. Disponível em: https://educacaodesenvolvimento.com.br/materiais/glossario#genero-logico-dialetico. Acesso em: [dia mês abreviado. ano].

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Referência-baseGRUPO DE PESQUISA EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO. Elaboração conceitual sobre gênero e universal, em diálogo com o método dialético.

Desenvolvimento cultural

Internalização

Reconstrução interna de relações e operações que aparecem inicialmente no plano social.

Compreensão-base

Uma função surge primeiro entre pessoas, como processo interpsíquico, e depois pode constituir-se no plano intrapsíquico. Essa passagem envolve mudanças de estrutura, função e significado, mediadas pela atividade e pelos signos.

Evite reduzir a...

Não é transferência mecânica do exterior para o interior, imitação passiva ou desaparecimento do caráter social do psiquismo.

Aplicação nas pesquisas

Permite compreender por que colaboração, diálogo, modelos culturais e apoio intencional são constitutivos — e não apenas auxiliares — da aprendizagem.

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Citação no texto: (GRUPO DE PESQUISA EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO, 2026).

GRUPO DE PESQUISA EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO. Internalização. In: GRUPO DE PESQUISA EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO. Glossário de conceitos. Araçatuba, SP, 2026. Versão 1.0. Disponível em: https://educacaodesenvolvimento.com.br/materiais/glossario#internalizacao. Acesso em: [dia mês abreviado. ano].

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Referência-baseVIGOTSKI, L. S. A formação social da mente.

Método de investigação

Interpretação

Reconstrução conceitual do movimento concreto de um fenômeno a partir de suas marcas e das regularidades cientificamente conhecidas.

Compreensão-base

Conforme Vigotski, interpretar significa ‘reconstruir o fenómeno segundo suas marcas e influências, baseando-se em regularidades estabelecidas anteriormente’. Essa reconstrução não consiste em introspecção nem em atribuição arbitrária de sentidos. Trata-se de empregar corretamente conceitos teórico-científicos e leis já conhecidas para elaborar, no pensamento, uma representação ideal do movimento concreto da realidade que não se oferece diretamente à observação. A interpretação reconstrói relações, processos e determinações a partir das marcas perceptíveis do fenômeno, e sua correção deve ser confrontada com a própria realidade.

Evite reduzir a...

Não deve ser reduzida a introspecção, opinião subjetiva, adivinhação de significados ocultos, descrição imediata ou aplicação mecânica de conceitos. A interpretação exige mediação teórica e controle de sua correspondência com o movimento real do fenômeno.

Aplicação nas pesquisas

Orienta a análise dos fenômenos investigados pelo grupo ao permitir reconstruir processos que não são diretamente visíveis, partindo de indícios concretos e articulando-os às regularidades e categorias do referencial teórico-científico.

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Citação no texto: (GRUPO DE PESQUISA EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO, 2026).

GRUPO DE PESQUISA EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO. Interpretação. In: GRUPO DE PESQUISA EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO. Glossário de conceitos. Araçatuba, SP, 2026. Versão 1.0. Disponível em: https://educacaodesenvolvimento.com.br/materiais/glossario#interpretacao. Acesso em: [dia mês abreviado. ano].

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Referência-baseVIGOTSKI, L. S. Teoria e método em psicologia. 3. ed. Tradução de Claudia Berliner. São Paulo: Martins Fontes, 2004.

Método dialético

Lei

Lei de movimento · Lei-tendência

Forma conceitual pela qual se conhece e se enuncia uma regularidade necessária do movimento da realidade.

Compreensão-base

Lei é a forma conceitual pela qual conhecemos e enunciamos uma regularidade necessária do movimento. A lei indica uma tendência, operando por contradições. Ela não produz nem impõe essa regularidade ao objeto: reconstrói no pensamento uma relação objetiva, relativamente estável e necessária que orienta seu movimento sob determinadas condições. Como lei-tendência, realiza-se mediante as contradições internas do fenômeno, em relação com outras tendências, condições e acontecimentos contingentes que podem favorecer, limitar, desviar ou modificar sua manifestação concreta.

Evite reduzir a...

Não deve ser confundida com norma jurídica, regra prescrita, correlação empírica, repetição constante de acontecimentos ou relação causal linear. A necessidade expressa pela lei não significa que cada acontecimento esteja antecipadamente determinado: a tendência realiza-se em condições concretas, por meio de contradições, contingências e contratendências.

Aplicação nas pesquisas

Na investigação, formular uma lei exige ultrapassar a descrição de ocorrências e reconstruir a relação necessária que organiza o movimento do objeto. Isso implica identificar as condições de sua realização, as contradições pelas quais opera, as tendências que se contrapõem a ela e as formas particulares e singulares pelas quais a regularidade se manifesta na realidade.

Responsabilidade editorial

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Citação no texto: (GRUPO DE PESQUISA EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO, 2026).

GRUPO DE PESQUISA EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO. Lei. In: GRUPO DE PESQUISA EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO. Glossário de conceitos. Araçatuba, SP, 2026. Versão 1.0. Disponível em: https://educacaodesenvolvimento.com.br/materiais/glossario#lei. Acesso em: [dia mês abreviado. ano].

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Referência-baseMARX, K. O Capital; ILYENKOV, E. V. Dialectical Logic; elaboração conceitual do Grupo de Pesquisa Educação e Desenvolvimento.

Método dialético e Psicologia Histórico-Cultural

Mediação

Processo de mediação · Transformação qualitativa · Interdependência da multideterminação

Movimento sistêmico e contraditório no qual uma totalidade se transforma qualitativamente e transita de uma forma de existência a outra pela interdependência de suas múltiplas determinações.

Compreensão-base

Mediação é o próprio movimento sistêmico e contraditório no qual uma totalidade, pela interdependência de suas múltiplas determinações, reorganiza-se qualitativamente e transita de uma forma de existência a outra. Não designa uma coisa, pessoa ou recurso colocado entre polos previamente constituídos. Nenhuma coisa produz a mediação por si mesma: sujeitos, objetos, instrumentos, signos e condições somente entram nesse processo quando são coerentes com a configuração particular do sistema de relações, ocupam nele uma posição funcional e participam efetivamente da transformação. Singularidade, particularidade e universalidade não são três entidades que se modificam umas às outras, mas formas objetivamente distintas e inseparáveis do movimento da mesma totalidade.

Evite reduzir a...

Não deve ser reduzida a ponte, termo médio, ajuda, facilitação, influência externa, presença de um recurso intermediário, simples interação, mera reciprocidade ou sequência causal linear entre elementos fixos. Tampouco se deve atribuir a função mediadora como qualidade inerente a um professor, livro, signo ou instrumento. Nem toda relação ou mudança constitui mediação: é necessário delimitar a totalidade analisada e demonstrar o movimento multideterminado que produz sua transformação qualitativa.

Aplicação nas pesquisas

Na investigação, exige delimitar a totalidade pertinente ao problema, reconstruir sua forma inicial, identificar as determinações interdependentes e as contradições do movimento, estabelecer a posição funcional ocupada pelo elemento examinado e demonstrar a nova organização qualitativa produzida. Em vez de perguntar apenas ‘quem ou o que é o mediador?’, pergunta-se: em qual sistema de relações esse elemento atua, como entra na mediação e de que modo participa da passagem da totalidade a outra forma de existência? Na educação, esse procedimento impede que professor, livro, linguagem ou conhecimento sejam tratados como mediadores em si mesmos.

Interdependência da multideterminação

Na perspectiva materialista histórico-dialética que fundamenta a Teoria Histórico-Cultural, a mediação é interna ao movimento contraditório da totalidade. O desenvolvimento não consiste na incorporação passiva de influências que chegam de fora, mas na reorganização das relações que constituem uma forma de existência e em sua transição qualitativa para outra forma.

A multideterminação não corresponde à soma de fatores independentes. Cada determinação adquire função e eficácia concretas pelas relações que estabelece e pela posição que ocupa no sistema; por isso, nenhuma delas pode ser tomada como causa autossuficiente da mediação. Compreender o processo requer reconstruir a interdependência dessas determinações, as contradições que movimentam a totalidade e a mudança de organização que nelas se realiza.

Singular, particular, universal e totalidade

Singularidade, particularidade e universalidade não são níveis isolados, camadas sucessivas ou coisas autônomas que agem umas sobre as outras. São formas do movimento de uma mesma totalidade concreta. Não há, portanto, três movimentos que depois se relacionam: é a totalidade que se transforma em seu movimento singular–particular–universal.

O singular é a forma concreta e irrepetível em que a totalidade existe. O particular designa a configuração historicamente determinada do sistema de relações na qual o universal assume forma concreta e a singularidade se constitui. O universal expressa a regularidade interna, necessária e tendencial que emerge dessas relações, sustenta a unidade da totalidade e orienta seu movimento.

Essas determinações são objetivamente distintas e precisam ser diferenciadas pela análise, mas não existem separadamente no objeto concreto. Distingui-las não autoriza reificá-las como entidades que primeiro existiriam isoladas e depois passariam a interagir, nem ordená-las como etapas de uma sequência linear.

O universal como regularidade interna

O universal não é a simples repetição de características comuns nem uma abstração imposta externamente aos fenômenos. É o princípio comum e tendencial que se constitui historicamente nas relações entre as partes de uma totalidade, confere unidade à sua diversidade e se realiza em configurações particulares e formas singulares concretas.

O universal é produto histórico dessas relações e, uma vez relativamente estabilizado, passa a integrar como determinação a produção de novas relações particulares, transformando-se também ao realizar-se nelas. É, assim, resultado e pressuposto continuamente reproduzido no movimento da totalidade.

A teoria pode formular essa regularidade objetiva como lei de movimento ou lei-tendência, mas não a cria. A tendência orienta o movimento sem predeterminar mecanicamente cada realização singular, pois opera em unidade com contradições, condições, contingências e contratendências presentes em cada totalidade concreta.

Mediação, meio e ‘mediador’

Mediação é o processo; meio é um elemento material ou simbólico que pode ser empregado na atividade e, sob condições determinadas, entrar nesse processo. A presença do meio não comprova a mediação. Um livro pode estar na atividade sem participar de sua transformação qualitativa; suas propriedades e seu conteúdo, considerados isoladamente, não lhe conferem eficácia mediadora.

O livro entra na mediação somente quando seu uso é coerente com a configuração particular do sistema de relações, nele ocupa uma posição funcional e participa efetivamente da reorganização da atividade. O mesmo princípio vale para professores, linguagem, signos, obras de arte e instrumentos culturais.

A pergunta ‘X é o mediador?’ substantiva um processo relacional e, por isso, é insuficiente. Com maior rigor, pergunta-se em que totalidade, sob quais relações e contradições e na produção de qual transformação qualitativa X entra na mediação. Sua participação não decorre do que X é em si mesmo, mas da função concreta que assume nesse movimento.

Produção e consumo em Marx

A análise de Marx sobre produção e consumo permite distinguir identidade imediata, mediação e totalidade. A produção cria o objeto e o modo do consumo; o consumo realiza o produto como produto, reproduz a necessidade e participa da determinação de uma nova produção. São momentos diferentes que se pressupõem e se determinam no interior de uma unidade contraditória.

A mediação não aparece como terceiro elemento acrescentado de fora nem como simples igualdade entre produção e consumo. A determinação recíproca caracteriza a relação mediada, mas, sozinha, não esgota o conceito de mediação. Esta diz respeito ao movimento real pelo qual momentos distintos participam da passagem e da transformação das formas de existência da totalidade.

Na unidade formada por produção, distribuição, troca e consumo, Marx preserva as diferenças, reconhece determinações recíprocas e assinala a produção como momento preponderante. Desse modo, identidade imediata, reciprocidade, mediação e totalidade não devem ser tomadas como sinônimos.

Implicações para a atividade pedagógica

A frase ‘o professor é o mediador entre a criança e o conhecimento’ é insuficiente quando transforma a mediação em atributo permanente do docente e sugere que criança, professor e conhecimento são três coisas prontas ligadas exteriormente. A presença do professor ou de um recurso didático não garante, por si só, uma transformação qualitativa.

O professor entra na mediação quando sua atividade ocupa uma posição funcional na organização concreta das relações e participa da transformação da totalidade delimitada pela análise. Do mesmo modo, a criança, o conhecimento, a linguagem, os instrumentos e as condições escolares devem ser compreendidos em sua interdependência, sem converter nenhum deles em causa isolada.

Reconhecer signos e instrumentos como meios culturais da atividade não significa atribuir-lhes poder causal autônomo. Sua função constitui-se no uso social, na atividade significada e nas relações concretas em que são mobilizados. Essa distinção preserva o papel decisivo dos meios culturais em Vigotski sem convertê-los em substâncias portadoras de mediação.

Essa concepção exige demonstrar o movimento: qual era a organização inicial da atividade, quais contradições e determinações a constituíam, que função cada elemento assumiu e que nova forma de existência foi produzida. Assim, mediação torna-se uma categoria analítica da transformação, e não apenas uma designação elogiosa para práticas de ensino.

Estatuto teórico desta formulação

A definição apresentada neste verbete é uma síntese teórico-conceitual em desenvolvimento, elaborada pelo Grupo de Pesquisa Educação e Desenvolvimento a partir das proposições de Armando Marino Filho e posta em diálogo com Marx e com a Psicologia Histórico-Cultural. Não deve ser atribuída como definição literal formulada por Marx, Vigotski ou Leontiev.

Sua coerência com a Teoria Histórico-Cultural reside na compreensão da atividade e do desenvolvimento como processos sociais, históricos e sistêmicos, nos quais novas formações reorganizam qualitativamente as relações existentes. Ao mesmo tempo, a ênfase na transformação da totalidade e na impossibilidade de uma coisa mediar por si mesma constitui uma elaboração interpretativa que precisa ser explicitada, fundamentada e confrontada com as obras primárias em cada investigação.

A totalidade em movimento

Universalidade, particularidade e singularidade não são três coisas que modificam umas às outras. São formas do movimento da mesma totalidade. É a totalidade que se transforma no seu movimento singular-particular-universal.

MARINO FILHO, Armando. Formulação conceitual sobre mediação.

Mediação e multideterminação

É preciso compreender que mediação é um processo da interdependência da multideterminação.

MARINO FILHO, Armando. Formulação conceitual sobre mediação.

Nada medeia por si mesmo

Qualquer coisa coerente com a particularidade de um sistema de relações pode entrar na mediação. MAS A MEDIAÇÃO NUNCA OCORRE POR CAUSA DE UMA COISA EM SI MESMA!!!

MARINO FILHO, Armando. Formulação conceitual sobre a participação de elementos na mediação.

O livro não é mediador em si mesmo

Não é ‘o mediador’, mas pode entrar na mediação se, e somente se, ocupar um lugar coerente no movimento sistêmico de transformações qualitativas que a mediação exige. Se o livro estiver na atividade, mas não ocupar um lugar no movimento da transformação qualitativa, ele não é mediador de nada. Tudo depende do uso do livro, e não do livro em si mesmo.

MARINO FILHO, Armando. Formulação conceitual sobre o lugar do livro na mediação.

Responsabilidade editorial

Elaboração
Grupo de Pesquisa Educação e Desenvolvimento
Revisão científica
Luis Henrique Zago — coordenação científica
Última revisão
Versão
2.1
Status
Síntese conceitual em desenvolvimento, sujeita a revisão à luz das obras e dos debates do grupo.

Como citar este verbete

Citação no texto: (GRUPO DE PESQUISA EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO, 2026).

GRUPO DE PESQUISA EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO. Mediação. In: GRUPO DE PESQUISA EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO. Glossário de conceitos. Araçatuba, SP, 2026. Versão 2.1. Disponível em: https://educacaodesenvolvimento.com.br/materiais/glossario#mediacao. Acesso em: [dia mês abreviado. ano].

Ao copiar, a data de acesso é preenchida automaticamente.

Referência-baseMARINO FILHO, Armando. Formulações conceituais sobre mediação; MARX, Karl. Grundrisse: manuscritos econômicos de 1857–1858: esboços da crítica da economia política. Tradução de Mario Duayer e Nélio Schneider. São Paulo: Boitempo; Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 2011; VIGOTSKI, L. S. História do desenvolvimento das funções psíquicas superiores; VIGOTSKI, L. S. Sobre os sistemas psicológicos; LEONTIEV, A. N. Atividade, consciência e personalidade; elaboração conceitual do Grupo de Pesquisa Educação e Desenvolvimento.

Método dialético

Necessidade

Necessidade dialética · Momento positivo da contradição

Momento positivo da contradição que, ao transformar qualitativamente uma relação, constitui a condição causal de uma tendência orientada à manutenção ou à negação de uma nova particularidade.

Compreensão-base

As necessidades surgem das contradições, inclusive como necessidade de agir contra a própria contradição que as gerou. Quando uma contradição transforma qualitativamente os fenômenos postos em relação, produz uma nova particularidade e, com ela, um movimento de sustentação, afirmação e manutenção — ou de negação — dessa configuração. A necessidade constitui o momento positivo da contradição: nela, a transformação realizada passa a operar como condição causal de uma tendência, isto é, como um sentido objetivo para novas interações e relações. Essa tendência orienta movimentos de manutenção ou de negação das particularidades dos fenômenos submetidos à nova condição. O sujeito da necessidade precisa, por isso, encontrar o objeto capaz de conferir determinação concreta ao movimento tendencial produzido pelo gênero das contradições.

Evite reduzir a...

Não deve ser reduzida a carência biológica, falta subjetivamente percebida, desejo consciente, estímulo exterior ou causa linear que produz automaticamente uma resposta. Tampouco a passagem da contradição à necessidade e desta à tendência constitui uma sequência cronológica rígida ou uma finalidade predeterminada. Trata-se de momentos reciprocamente determinados de uma mesma totalidade em movimento, cuja realização depende das relações concretas, das mediações e do encontro com o objeto.

Aplicação nas pesquisas

Na investigação, compreender uma necessidade requer reconstruir a contradição que transformou qualitativamente a relação, a nova particularidade produzida, a tendência de movimento que dela emerge e o objeto capaz de orientar concretamente essa tendência. O percurso analítico vai da contradição à relação e passa pela necessidade como momento de causalidade da tendência; entretanto, deve ser reconstruído como movimento necessário da totalidade, e não como encadeamento mecânico de fatores isolados.

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Síntese conceitual em desenvolvimento, sujeita a revisão à luz das obras e dos debates do grupo.

Como citar este verbete

Citação no texto: (GRUPO DE PESQUISA EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO, 2026).

GRUPO DE PESQUISA EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO. Necessidade. In: GRUPO DE PESQUISA EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO. Glossário de conceitos. Araçatuba, SP, 2026. Versão 1.0. Disponível em: https://educacaodesenvolvimento.com.br/materiais/glossario#necessidade. Acesso em: [dia mês abreviado. ano].

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Referência-baseMARINO FILHO, Armando. Elaboração conceitual sobre necessidade; dados bibliográficos não informados.

Teoria da atividade

Necessidade, motivo e objeto

Relação dinâmica pela qual uma necessidade encontra no objeto a orientação concreta da atividade.

Compreensão-base

A necessidade expressa uma condição que impulsiona o sujeito, mas somente ao encontrar um objeto capaz de orientá-la a atividade adquire motivo. O objeto não é apenas coisa física: pode ser uma relação, conhecimento, condição de vida ou transformação buscada.

Evite reduzir a...

Necessidade não deve ser reduzida a carência biológica ou desejo declarado; motivo não é uma justificativa verbal; e objeto não é algo isolado das relações sociais.

Aplicação nas pesquisas

Essa unidade é central para investigar como uma possibilidade — aprender, participar ou sair de determinada condição — pode tornar-se objeto significativo e projeto sustentado.

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GRUPO DE PESQUISA EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO. Necessidade, motivo e objeto. In: GRUPO DE PESQUISA EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO. Glossário de conceitos. Araçatuba, SP, 2026. Versão 1.0. Disponível em: https://educacaodesenvolvimento.com.br/materiais/glossario#necessidade-motivo-objeto. Acesso em: [dia mês abreviado. ano].

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Referência-baseLEONTIEV, A. N. Atividade, consciência e personalidade.

Metodologia da pesquisa

Objeto de pesquisa

Objeto de investigação · Objeto científico

Unidade da realidade, empírica ou teoricamente objetivada, delimitada por um problema de investigação e apreendida em suas determinações e formas de movimento.

Compreensão-base

Objeto de pesquisa é uma unidade da realidade — empírica ou teoricamente objetivada — delimitada por um problema de investigação e constituída por determinações próprias, isto é, por relações, condições, mediações, contradições e formas de movimento que a fazem ser o que é. A delimitação não cria arbitrariamente o objeto nem apenas recorta uma parcela estática do real: identifica a unidade cuja existência e cujo desenvolvimento precisam ser reconstruídos conceitualmente. A objetivação teórica transforma o fenômeno inicialmente percebido em objeto científico ao explicitar as determinações que o constituem e as relações que explicam seu movimento.

Evite reduzir a...

Não deve ser reduzido ao tema geral, ao título do estudo, ao local da pesquisa, à população participante, a uma variável isolada ou ao conjunto imediato dos dados empíricos. Tampouco é uma construção puramente subjetiva do pesquisador: embora seja delimitado e reconstruído pelo pensamento, refere-se a uma unidade real cuja formulação deve conservar correspondência com suas determinações concretas.

Aplicação nas pesquisas

Sua formulação exige identificar qual unidade será investigada, qual problema torna necessária a investigação, em que contexto ela existe e quais relações, condições, mediações, contradições e tendências organizam seu movimento. Essa delimitação orienta as perguntas, os objetivos, as fontes, os procedimentos metodológicos e os critérios de análise da pesquisa.

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Formulação conceitual provisória do grupo, aberta a revisão conforme o desenvolvimento das pesquisas.

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GRUPO DE PESQUISA EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO. Objeto de pesquisa. In: GRUPO DE PESQUISA EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO. Glossário de conceitos. Araçatuba, SP, 2026. Versão 1.0. Disponível em: https://educacaodesenvolvimento.com.br/materiais/glossario#objeto-de-pesquisa. Acesso em: [dia mês abreviado. ano].

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Referência-baseGRUPO DE PESQUISA EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO. Elaboração conceitual sobre o objeto de pesquisa, em diálogo com o método dialético.

Método dialético

Particularidade

Forma concreta assumida pelas partes em suas relações no interior de uma totalidade.

Compreensão-base

Particularidade: é a forma concreta assumida pelas partes quando entram em relação no interior de uma totalidade. Nessa relação, as partes mantêm suas diferenças, compartilham determinadas identidades, contradizem-se e transformam-se reciprocamente. Portanto, a particularidade não é um nível intermediário entre o singular e o universal, mas o movimento relacional e contraditório por meio do qual o universal se realiza em configurações concretas e participa da constituição do singular.

Evite reduzir a...

Não deve ser compreendida como degrau intermediário, simples contexto ou coleção de características particulares. Sua existência é relacional, contraditória e dinâmica.

Aplicação nas pesquisas

Permite analisar como relações universais ganham formas determinadas em obras, instituições, grupos e situações concretas, participando da constituição de cada fenômeno singular.

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Citação no texto: (GRUPO DE PESQUISA EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO, 2026).

GRUPO DE PESQUISA EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO. Particularidade. In: GRUPO DE PESQUISA EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO. Glossário de conceitos. Araçatuba, SP, 2026. Versão 1.0. Disponível em: https://educacaodesenvolvimento.com.br/materiais/glossario#particularidade. Acesso em: [dia mês abreviado. ano].

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Referência-baseMARX, K. Introdução de 1857; elaboração conceitual orientada pelos estudos do grupo sobre o método dialético.

Consciência e atividade

Pensamento

Processo conceitualmente mediado pelo qual o sujeito apreende propriedades, relações e determinações do objeto.

Compreensão-base

Pensar é operar conceitualmente sobre o objeto: analisar, abstrair, comparar, generalizar e sintetizar suas propriedades, relações e determinações.

Evite reduzir a...

Não deve ser reduzido a fluxo espontâneo de ideias, associação de imagens, opinião imediata ou processamento isolado das condições sociais, da linguagem e da atividade do sujeito.

Aplicação nas pesquisas

Fundamenta a elaboração conceitual dos objetos investigados e permite distinguir o pensamento dirigido ao objeto da reflexão, na qual o sujeito toma como objeto sua própria relação com o mundo.

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GRUPO DE PESQUISA EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO. Pensamento. In: GRUPO DE PESQUISA EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO. Glossário de conceitos. Araçatuba, SP, 2026. Versão 1.0. Disponível em: https://educacaodesenvolvimento.com.br/materiais/glossario#pensamento. Acesso em: [dia mês abreviado. ano].

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Referência-baseGRUPO DE PESQUISA EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO. Elaboração conceitual sobre pensamento e reflexão.

Desenvolvimento da personalidade

Personalidade

Formação histórico-social, singular e relativamente estável do psiquismo, constituída na atividade vital e permanentemente aberta ao desenvolvimento.

Compreensão-base

Personalidade é a formação histórico-social, singular e relativamente estável do psiquismo humano, constituída na atividade vital do sujeito, nas relações sociais concretas e no processo de apropriação das objetivações culturais. Ela expressa a síntese dinâmica entre necessidades, motivos, sentidos pessoais, significados sociais, consciência e vontade, organizando a relação do indivíduo com o mundo, com os outros e consigo mesmo. Não é uma essência interior, um conjunto natural de traços fixos ou uma soma de características psicológicas isoladas; é uma totalidade em desenvolvimento, estruturada pela hierarquia de motivos e pelas contradições entre condições materiais de existência, posição social e atividade. Nessa perspectiva, a personalidade é uma formação psicológica pela qual o indivíduo se constitui como sujeito histórico, apropriando-se da cultura, objetivando-se em sua atividade e podendo, em determinadas condições, regular conscientemente sua conduta, transformar a realidade e transformar-se a si mesmo.

Evite reduzir a...

Não se reduz a temperamento, conjunto fixo de traços, aparência comportamental, soma de funções psicológicas ou resultado direto da herança biológica. Sua estabilidade é relativa, e não imutabilidade. Do mesmo modo, reconhecer sua determinação social não significa conceber o indivíduo como produto mecânico do meio nem apagar sua singularidade e sua atividade.

Aplicação nas pesquisas

Permite investigar como a hierarquia de motivos, os sentidos pessoais, os significados sociais, a consciência e a vontade se organizam na trajetória singular do sujeito. A análise deve relacionar essa organização às condições materiais de existência, à posição social, às atividades concretas e às contradições que produzem possibilidades de conservação, reorganização e desenvolvimento da personalidade.

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GRUPO DE PESQUISA EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO. Personalidade. In: GRUPO DE PESQUISA EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO. Glossário de conceitos. Araçatuba, SP, 2026. Versão 1.1. Disponível em: https://educacaodesenvolvimento.com.br/materiais/glossario#personalidade. Acesso em: [dia mês abreviado. ano].

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Referência-baseVIGOTSKI, L. S. Paidologia del adolescente; LEONTIEV, A. N. Atividade, consciência e personalidade; BOZHOVICH, L. I. La personalidad y su formación en la edad infantil.

Consciência e atividade

Reflexão

Forma específica de pensamento na qual o sujeito toma como objeto sua própria relação com o mundo.

Compreensão-base

O pensamento pode ser compreendido como o processo mediado por conceitos pelo qual o sujeito analisa, abstrai, generaliza e sintetiza o objeto de sua atividade. A reflexão, por sua vez, não se confunde com o pensamento em geral: ela constitui uma forma específica de pensamento na qual o sujeito toma como objeto sua própria relação com o mundo, isto é, sua atividade, seus motivos, seus meios, seus fins e os efeitos de sua ação. Desse modo, pensamos os objetos, mas refletimos sobre nossa relação com eles.

Evite reduzir a...

Não deve ser confundida com qualquer pensamento, contemplação passiva, comentário espontâneo ou introspecção desligada da atividade concreta e de suas determinações sociais.

Aplicação nas pesquisas

Permite examinar como o sujeito compreende e reorganiza conscientemente sua atividade, avaliando motivos, meios, finalidades, consequências e possibilidades de transformação de sua relação com o objeto.

Responsabilidade editorial

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Como citar este verbete

Citação no texto: (GRUPO DE PESQUISA EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO, 2026).

GRUPO DE PESQUISA EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO. Reflexão. In: GRUPO DE PESQUISA EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO. Glossário de conceitos. Araçatuba, SP, 2026. Versão 1.0. Disponível em: https://educacaodesenvolvimento.com.br/materiais/glossario#reflexao. Acesso em: [dia mês abreviado. ano].

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Referência-baseGRUPO DE PESQUISA EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO. Elaboração conceitual sobre pensamento e reflexão.

Consciência e linguagem

Significado

Significação social

Forma socialmente produzida e objetivada na linguagem e nas práticas culturais, apropriada pelo sujeito em sua atividade.

Compreensão-base

Na perspectiva histórico-cultural, os significados socialmente produzidos e objetivados na linguagem e nas práticas culturais são apropriados pelo sujeito em suas atividades. Contudo, ao integrarem a consciência, tais significados não se apresentam como conteúdos neutros ou dissociados da vida concreta do sujeito; eles se constituem em unidade contraditória com os sentidos pessoais, expressando a articulação entre a significação social e a relação singular, afetivo-motivacional, que o sujeito estabelece com essa realidade.

Evite reduzir a...

Não deve ser reduzido a definição lexical, conteúdo mental neutro, representação puramente individual ou entidade fixa e independente das práticas sociais. Também não se confunde com o sentido pessoal: o significado possui existência social relativamente estabilizada, enquanto o sentido expressa a relação singular e afetivo-motivacional do sujeito com essa significação.

Aplicação nas pesquisas

Permite distinguir as significações socialmente objetivadas dos sentidos produzidos na atividade concreta. Essa distinção ajuda a investigar como um mesmo conhecimento, valor, conceito ou prática cultural pode ser apropriado de maneiras distintas, adquirir relevâncias afetivas diferentes e ser reelaborado na consciência dos sujeitos.

Responsabilidade editorial

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Citação no texto: (GRUPO DE PESQUISA EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO, 2026).

GRUPO DE PESQUISA EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO. Significado. In: GRUPO DE PESQUISA EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO. Glossário de conceitos. Araçatuba, SP, 2026. Versão 1.0. Disponível em: https://educacaodesenvolvimento.com.br/materiais/glossario#significado. Acesso em: [dia mês abreviado. ano].

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Referência-baseVIGOTSKI, L. S. Pensamento e linguagem; LEONTIEV, A. N. Atividade, consciência e personalidade.

Consciência, atividade e afetividade

Sofrimento

Sofrimento como atividade consciente

Forma categorial da atividade consciente na qual o corpo enfrenta contradições, suporta-as, resiste a elas e busca meios para superá-las.

Compreensão-base

Na formulação de Marino Filho, o sofrimento não é uma coisa, uma parte isolada do sujeito nem um estado independente da atividade geral do corpo que existe. Ele constitui um momento qualitativamente específico dessa atividade: diante de contradições sistêmicas internas de orientação na realidade, o corpo está conscientemente ativo para suportá-las, resistir a elas e agir em busca de meios para sua superação. O sofrimento é, portanto, compreendido como atividade consciente, organizada pela necessidade de enfrentar contradições que afetam a existência e exigem do sujeito alguma forma de orientação e ação.

Evite reduzir a...

Não deve ser reduzido a dor, passividade, sintoma isolado, estado interior autônomo ou simples efeito mecânico de acontecimentos externos. Tampouco se confunde com afetos, emoções ou sentimentos. Esses fenômenos integram qualitativamente a atividade consciente de sofrer e conferem sentido à busca de meios de superação, mas não esgotam a categoria sofrimento.

Aplicação nas pesquisas

Nas pesquisas, essa concepção orienta a investigar quais contradições concretas produzem a condição de sofrer, como o sujeito as compreende e quais afetos, emoções, sentimentos, sentidos, ações e meios participam de sua atividade de suportar, resistir e buscar superação. Também impede a individualização abstrata do sofrimento: é necessário reconstruir as relações sociais, as condições materiais e as mediações que constituem as contradições enfrentadas, bem como as possibilidades efetivamente disponíveis para transformá-las.

O sofrimento como forma categorial da atividade

Designar o sofrimento como forma categorial significa reconhecer que, nessa condição, a atividade geral do corpo assume uma qualidade própria. O sujeito não apenas recebe ou contém o sofrimento: encontra-se conscientemente ativo no enfrentamento de contradições que dificultam sua orientação na realidade.

Suportar e resistir não significam necessariamente permanecer imóvel. São momentos de uma atividade que procura conservar a existência enquanto busca meios para modificar as condições contraditórias. A possibilidade de superação depende tanto da atividade do sujeito quanto das mediações e condições concretas socialmente disponíveis.

Afetos, emoções, sentimentos e sentido da atividade

Afetos, emoções e sentimentos não são sinônimos de sofrimento. Eles constituem qualidades da atividade consciente de sofrer e participam da forma pela qual as contradições são vividas, avaliadas e relacionadas aos motivos e às necessidades do sujeito.

Ao conferirem sentido à busca de meios de superação, esses fenômenos afetivos podem orientar aproximações, recusas, resistências e ações. Sua análise deve permanecer unida à atividade concreta e às contradições que a organizam, evitando tratá-los como conteúdos interiores independentes da realidade social.

Sofrimento e atividade consciente

Por isso, o sofrimento não [é] compreendido por mim como ‘alguma coisa’, ‘uma parte’, algo independente da atividade geral do corpo que existe. O sofrimento é uma forma categorial da atividade geral do corpo, um momento qualitativo no qual o corpo enfrenta as contradições sistêmicas internas de orientação na realidade e está conscientemente ativo para suportar e resistir às contradições, agindo para isso. O corpo que sofre busca por um meio de superação das contradições. No sofrimento há um tipo categorial de atividade consciente que é qualitativamente próprio da condição de sofrer com as contradições. Por isso, considero o sofrimento como uma atividade consciente.

MARINO FILHO, Armando. Tese, 2025.

O verbo entre colchetes foi acrescentado para recompor a sintaxe da passagem fornecida, sem modificar seu conteúdo conceitual.

Sofrimento e fenômenos afetivos

Sofrimento não pode ser confundido com afetos, emoções, sentimentos. É um momento no qual afetos, emoções e sentimentos dão um sentido para a atividade de busca de meios para a superação das contradições. Assim, afetos, emoções e sentimentos são categorias qualitativas da atividade consciente do sofrer.

MARINO FILHO, Armando. Tese, 2025.

Responsabilidade editorial

Elaboração
Grupo de Pesquisa Educação e Desenvolvimento
Revisão científica
Luis Henrique Zago — coordenação científica
Última revisão
Versão
1.0
Status
Síntese conceitual em desenvolvimento, sujeita a revisão à luz da tese citada e dos debates do grupo.

Como citar este verbete

Citação no texto: (GRUPO DE PESQUISA EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO, 2026).

GRUPO DE PESQUISA EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO. Sofrimento. In: GRUPO DE PESQUISA EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO. Glossário de conceitos. Araçatuba, SP, 2026. Versão 1.0. Disponível em: https://educacaodesenvolvimento.com.br/materiais/glossario#sofrimento. Acesso em: [dia mês abreviado. ano].

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Referência-baseMARINO FILHO, Armando. Tese, 2025. Título e demais dados bibliográficos não informados.

Método dialético

Universal

Princípio comum e tendencial que se constitui nas relações de uma totalidade, sustenta sua unidade e orienta seu movimento.

Compreensão-base

Universal: é o princípio comum e tendencial que se constitui nas relações entre as partes de uma totalidade, sustenta sua unidade e orienta seu movimento. Ele corresponde à regularidade interna do movimento — uma relação necessária — que unifica um universo de partes e relações. Emerge historicamente como produto dessas relações e, uma vez estabilizado, orienta a produção de novas relações particulares, transformando-se em parte nelas. O universal não existe fora de suas realizações particulares: é imanente e só existe como relações particulares no interior das singularidades, nas quais também se transforma. Por ser regular, pode ser formulado teoricamente como uma lei de movimento, ou lei-tendência, sem que isso implique determinismo mecânico. Não corresponde à simples repetição de características nem a uma abstração externa aos fenômenos; expressa a determinação essencial que se realiza nas particularidades e assume formas singulares concretas.

Evite reduzir a...

Não deve ser reduzido a uma característica repetida, a uma generalização abstrata ou a uma lei fixa que determina mecanicamente os fenômenos. O universal existe e se transforma nas próprias relações particulares.

Aplicação nas pesquisas

Na pesquisa sobre personalidade, orienta a busca do princípio comum que emerge do movimento contraditório das formulações de Vigotski, Leontiev e Bozhovich, sem apagar as particularidades de cada obra nem as formas singulares em que o fenômeno se realiza.

Responsabilidade editorial

Elaboração
Grupo de Pesquisa Educação e Desenvolvimento
Revisão científica
Luis Henrique Zago — coordenação científica
Última revisão
Versão
1.0

Como citar este verbete

Citação no texto: (GRUPO DE PESQUISA EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO, 2026).

GRUPO DE PESQUISA EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO. Universal. In: GRUPO DE PESQUISA EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO. Glossário de conceitos. Araçatuba, SP, 2026. Versão 1.0. Disponível em: https://educacaodesenvolvimento.com.br/materiais/glossario#universal. Acesso em: [dia mês abreviado. ano].

Ao copiar, a data de acesso é preenchida automaticamente.

Referência-baseGRUPO DE PESQUISA EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO. Elaboração conceitual sobre o universal, em diálogo com o método dialético.

Método dialético

Universal, particular e singular

Determinações inseparáveis para compreender como relações gerais existem em formas concretas e únicas.

Compreensão-base

O universal expressa relações essenciais produzidas historicamente; o particular é o conjunto de mediações e condições que lhes dá uma forma determinada; o singular é a existência única em que universal e particular se realizam concretamente.

Evite reduzir a...

O universal não é apenas característica comum, o particular não é exemplo intermediário e o singular não é indivíduo isolado. Nenhuma dimensão é compreendida adequadamente fora das relações com as outras.

Aplicação nas pesquisas

Orienta a passagem entre teoria e casos concretos, permitindo analisar obras, instituições ou sujeitos singulares sem perder as relações sociais mais amplas que os constituem.

Responsabilidade editorial

Elaboração
Grupo de Pesquisa Educação e Desenvolvimento
Revisão científica
Luis Henrique Zago — coordenação científica
Última revisão
Versão
1.0

Como citar este verbete

Citação no texto: (GRUPO DE PESQUISA EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO, 2026).

GRUPO DE PESQUISA EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO. Universal, particular e singular. In: GRUPO DE PESQUISA EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO. Glossário de conceitos. Araçatuba, SP, 2026. Versão 1.0. Disponível em: https://educacaodesenvolvimento.com.br/materiais/glossario#universal-particular-singular. Acesso em: [dia mês abreviado. ano].

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Referência-baseMARX, K. Introdução de 1857; ILYENKOV, E. V. Dialectical Logic.

Desenvolvimento e afetividade

Vivência

Perezhivanie

Unidade que expressa como uma situação é vivida e refratada pela pessoa em determinado momento de seu desenvolvimento.

Compreensão-base

A vivência reúne características do ambiente e da pessoa sem tratá-las como fatores separados. A mesma situação pode produzir efeitos distintos porque ocupa lugares diferentes na relação singular de cada sujeito com o meio.

Evite reduzir a...

Não é apenas emoção momentânea, relato subjetivo ou experiência individual separada das condições sociais.

Aplicação nas pesquisas

Possibilita analisar como condições aparentemente iguais adquirem significados afetivos diversos e participam de trajetórias singulares de desenvolvimento.

Responsabilidade editorial

Elaboração
Grupo de Pesquisa Educação e Desenvolvimento
Revisão científica
Luis Henrique Zago — coordenação científica
Última revisão
Versão
1.0

Como citar este verbete

Citação no texto: (GRUPO DE PESQUISA EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO, 2026).

GRUPO DE PESQUISA EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO. Vivência. In: GRUPO DE PESQUISA EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO. Glossário de conceitos. Araçatuba, SP, 2026. Versão 1.0. Disponível em: https://educacaodesenvolvimento.com.br/materiais/glossario#vivencia-perezhivanie. Acesso em: [dia mês abreviado. ano].

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Referência-baseVIGOTSKI, L. S. O problema do meio na pedologia.

Aprendizagem e desenvolvimento

Zona de desenvolvimento próximo

Também traduzida como zona de desenvolvimento proximal ou iminente

Campo de possibilidades revelado pelo que a pessoa consegue realizar em colaboração antes de fazê-lo autonomamente.

Compreensão-base

A zona relaciona o nível de desenvolvimento já consolidado às funções em processo de formação, observáveis quando a pessoa participa de atividades com orientação de adultos ou colaboração de parceiros mais experientes.

Evite reduzir a...

Não é uma medida fixa, distância numérica ou conjunto de tarefas que qualquer ajuda torna realizável. A qualidade da colaboração e o desenvolvimento em curso são decisivos.

Aplicação nas pesquisas

Fundamenta intervenções que identificam possibilidades emergentes e oferecem apoios temporários capazes de promover autonomia e novas formas de ação.

Responsabilidade editorial

Elaboração
Grupo de Pesquisa Educação e Desenvolvimento
Revisão científica
Luis Henrique Zago — coordenação científica
Última revisão
Versão
1.0

Como citar este verbete

Citação no texto: (GRUPO DE PESQUISA EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO, 2026).

GRUPO DE PESQUISA EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO. Zona de desenvolvimento próximo. In: GRUPO DE PESQUISA EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO. Glossário de conceitos. Araçatuba, SP, 2026. Versão 1.0. Disponível em: https://educacaodesenvolvimento.com.br/materiais/glossario#zona-desenvolvimento-proximo. Acesso em: [dia mês abreviado. ano].

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Referência-baseVIGOTSKI, L. S. A formação social da mente.

Nota metodológica

O conceito é compreendido pelo sistema de relações que o constitui.

As formulações não pretendem encerrar debates terminológicos ou substituir as obras originais. Traduções, edições e tradições interpretativas podem empregar expressões diferentes; sempre que necessário, essas variações serão registradas no próprio verbete.

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