← Publicações
Aceito para publicação nos anais2026

Artigo · pesquisa em desenvolvimento

A contação de histórias como mediação estética e pedagógica no desenvolvimento de competências socioemocionais no Ensino Fundamental: a apropriação de valores abstratos por meio de experiências narrativas concretas

Faculdade da Fundação Educacional de Araçatuba (FAC-FEA)

Situação editorial

Aceite confirmado para os anais

XXII Semana de Educação e II Semana Integrada Pedagogia e Pós-Graduação em Educação — “Pedagogias humanizadoras: fundamentos, práxis e enfrentamentos contemporâneos” — UFMS

O registro no site informa o aceite acadêmico. A referência definitiva dos anais será acrescentada após a publicação oficial do evento.

Atualização da pesquisa: esta página preserva o título e o resumo do artigo aceito, que correspondem a uma etapa anterior da investigação. A formulação atual desloca o foco para a transformação do sistema afetivo-emocional, a apropriação de valores morais e a formação de motivos. Consultar a formulação atual da pesquisa.

II

Resumo do artigo

Resumo

A presente pesquisa, de natureza teórico-conceitual e ainda em desenvolvimento, investiga a contação de histórias como mediação estética, simbólica e pedagógica no processo de desenvolvimento das competências socioemocionais de crianças do Ensino Fundamental. Parte-se do problema de que valores e formas de conduta socialmente elaborados, como justiça, solidariedade, respeito, empatia e cooperação, possuem elevado grau de abstração e, por isso, não são apropriados pelas crianças mediante sua simples enunciação ou prescrição normativa. Questiona-se, nesse sentido, de que modo as experiências narrativas, afetivamente mobilizadoras e socialmente significativas podem favorecer a apropriação desses conteúdos e participar da formação de modos conscientes de sentir, pensar e agir.

O objetivo geral consiste em analisar as possibilidades e os limites da contação de histórias como mediação da apropriação de valores e do desenvolvimento de capacidades socioemocionais na infância, à luz da Teoria Histórico-Cultural. Metodologicamente, realiza-se pesquisa bibliográfica, mediante estudo, análise e sistematização conceitual de obras de Vigotski, Leontiev e outros autores vinculados à tradição histórico-cultural, em interlocução com produções relativas à literatura infantil, à educação estética e à formação socioemocional. A análise orienta-se pelas categorias de atividade, mediação, signo, sentido, significado, imaginação, emoção e vivência, buscando reconstruir as relações internas entre narrativa, afetividade, consciência e desenvolvimento.

Como hipótese, sustenta-se que a contação de histórias, quando organizada intencionalmente como atividade pedagógica e experiência estética, pode converter valores abstratos em situações narrativas imaginadas, concretas e afetivamente vivenciadas, criando condições para que a criança compreenda conflitos, atribua sentidos às ações das personagens e reelabore suas próprias formas de relação social. Espera-se demonstrar que essa contribuição não decorre automaticamente do contato com narrativas, mas depende da qualidade estética das obras, da organização pedagógica e das mediações produzidas pelo professor.

III

Síntese estruturada

Problema, hipótese e método

01

Problema

Valores como justiça, empatia, solidariedade, respeito e cooperação podem permanecer como palavras sem conteúdo vivencial quando apresentados apenas por definições, ordens ou recomendações de conduta.

02

Hipótese

Personagens, motivos, conflitos, escolhas e consequências dão forma concreta e afetivamente mobilizadora a esses valores, favorecendo interpretação, tomada de perspectiva e elaboração de sentidos.

03

Método

A investigação bibliográfica reconstrói relações entre narrativa, afetividade, consciência e desenvolvimento pelas categorias de atividade, mediação, signo, significado, sentido, imaginação, emoção e vivência.

IV

Desenvolvimento teórico

Principais argumentos

Competências socioemocionais e formação humana

O artigo compreende as capacidades socioemocionais como formações psicológicas históricas e culturais. Empatia, cooperação, autorregulação e orientação por valores não são tratadas como traços isolados nem como técnicas para adaptar a criança a condições adversas. A análise preserva a unidade entre pensamento, afeto, linguagem, vontade e participação social.

Narrativa, imaginação e experiência estética

A literatura seleciona e reorganiza aspectos da realidade por meio da forma artística. Ritmo, ponto de vista, suspense, metáfora e composição participam da mobilização dos afetos. A imaginação amplia a experiência infantil ao tornar acessíveis relações, situações e perspectivas que ultrapassam a vida cotidiana imediata.

Valores em situações narrativas concretas

Na narrativa, a justiça aparece em decisões entre interesses conflitantes; a solidariedade, em ações realizadas em favor de outra pessoa; o respeito, no reconhecimento de necessidades e diferenças; e a cooperação, na organização compartilhada da atividade. Isso não elimina a complexidade conceitual dos valores, mas oferece uma forma imaginativa para iniciar sua elaboração.

Mediação docente e autonomia da obra

O professor seleciona obras de qualidade, organiza condições de escuta e propõe perguntas abertas que permitam examinar motivos, contradições e consequências. Desenhos, dramatizações, recontos, finais alternativos e rodas de conversa podem ampliar a elaboração infantil, desde que a obra não seja reduzida a uma moral previamente fixada.

Conclusões parciais

Possibilidades reais, efeitos não automáticos.

A pesquisa sustenta provisoriamente que a contação de histórias pode favorecer a apropriação de valores quando é organizada como atividade pedagógica e preservada em sua qualidade estética. Seu potencial emerge da articulação entre significados culturais da obra, mobilização afetiva, imaginação infantil e mediação do professor.

Esse resultado não é automático. Depende da experiência anterior das crianças, das relações sociais, da regularidade das práticas, da preparação docente e das condições concretas da escola. A literatura, isoladamente, não supera desigualdade, violência, racismo, exclusão ou relações escolares autoritárias; os valores discutidos nas histórias precisam encontrar correspondência nas experiências efetivamente vividas.